De malas prontas: Vale dos Vinhedos (RS/Brasil)

Oi pessoal,

Em abril desse ano, na semana de Páscoa, tive o prazer de conhecer as vinícolas da Serra Gaúcha e fui surpreendida pela variedade de vinhos de alta qualidade em um cenário lindíssimo, assim como pela bela gastronomia italiana e tamanha simpatia e educação dos gaúchos do Vale dos Vinhedos.

Don Laurindo Parreiras 2

Localizado a duas horas de estrada de Porto Alegre, no encontro dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, o Vale representa o legado histórico, cultural e gastronômico deixado pelos imigrantes italianos que chegaram à região em 1875. Vou passar aqui a minha impressão sobre as vinícolas que mais gostei, as melhores degustações e refeições.

Quando ir

As vinícolas e atrações situadas no Vale estão abertas à visitação ao longo de todo o ano, mas as temperaturas apresentam variações significativas, com as quatro estações bem demarcadas. No verão, as parreiras estão repletas e o cheiro de uva domina o ar da Serra Gaúcha. É o período das colheitas. Como fui em abril, não havia mais uvas, mas a paisagem estava incrível, lembrando o cenário italiano da Toscana. A temperatura estava ótima e todos os dias ensolarados.

Mamma Gema Jardim 2

Onde se hospedar

É preciso se programar com antecedência, especialmente para garantir a hospedagem dentro de alguma vinícola. Caso não haja mais vaga disponível ou o intuito seja economizar, Bento Gonçalves tem diversas opções e é próximo do Vale (cerca de 15 minutos de carro). Aliás, o carro é fundamental nessa viagem, pois as vinícolas ficam distantes na média uns 3Km umas das outras. Basta beber com moderação e dirigir com cuidado.

As Vinícolas

Pizzato

Essa foi a melhor descoberta do Vale dos Vinhedos. Os vinhos da Pizzato foram os que mais ocuparam a nossa mala de volta ao Brasil. A degustação é gratuita, bem exclusiva, detalhada, com direito à prova de muitos rótulos. Também fizemos um tour pela vinícola. Os preços dos vinhos que provamos variaram entre R$ 29 (Linha Fausto), R$ 46 (Linha Pizzato, com destaque para as uvas Alicante Bouschet e Egiodola), R$ 56 (espumantes da Linha Pizzato) e R$ 68 (Concentus 2008, uma mescla de Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon). Esse Concentus foi eleito um dos meus preferidos do Vale.

Barris da Pisato

Vinhos Pisato

Lidio Carraro

Lidio Carraro foi escolhido como o vinho licenciado oficial da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014, com a Linha Faces. É na antiga casa da família em que são recebidos os turistas, apresentada a história da boutique e realizadas as degustações e a comercialização do vinhos. Na degustação gratuita, nossos preferidos foram o Dádivas Merlot /Cabernet Sauvignon e o AGNUS Cabernet Sauvignon.

Cave de Pedra

Cave de Pedra

O tour da Cave de Pedra é imperdível, não só pelos vinhos mas pela belíssima instalação que ainda oferece uma linda vista do Vale. Nessa degustação garantimos o Special Blend 2005, ano que marcou a melhor safra de uvas do Brasil. O tour custa R$ 10, com R$ 5 revertidos em bônus para consumir na loja da Cave de Pedra.

Cave de Pedra 2

Cave de Pedra vinhos

Miolo

A visitação à Vinícola Miolo é quase obrigatória para quem vai ao Vale, por ser a líder no mercado e a maior exportadora brasileira de vinhos, com a presença de mais de 100 rótulos. Mas, sinceramente, foi a visita que eu menos gostei. Os grupos são muito grandes. Prefiro os tours mais íntimos, quando podemos perguntar à vontade e ouvir novas histórias. Além disso, achei a degustação fraca. Apenas a linha básica estava incluída. Nenhum rótulo mais sofisticado foi oferecido. Resultado: saí de lá com a mesma impressão que eu tinha sobre a Miolo. Nada a acrescentar. O tour custa R$ 15, com R$ 7,5 revertidos em bônus para consumir na loja.

Don Laurindo

Essa vinícola foi uma grata surpresa. Se não fosse por indicação, teríamos passado direto. A degustação é gratuita e demos a sorte de ter sido quase particular, pois havia apenas um casal quando chegamos. Com uma instalação muito elegante e charmosa, os vinhos da Don Laurindo são elaborados para o consumo da família e o excedente é comercializado. Provamos todos os vinhos disponíveis no balcão. Uma beleza! E depois fomos passear nos lindos parreirais da vinícola.

Don Laurindo Adega

Don Laurindo Vinhos

Don Laurindo Parreiras

Casa Valduga

Esse foi o melhor tour da viagem, nem tanto pelos vinhos, mas pelo formato utilizado. Apesar de ser um grupo grande, o tour tem um estilo intimista e a degustação vai ocorrendo ao longo da visita, que é bem interativa e cheia de histórias e curiosidades. O preço é R$ 20, mas dá direito à bela taça utilizada na degustação.

Casa Valduga

A Casa Valduga possui a maior adega de espumantes da América Latina e foi uma das primeiras vinícolas brasileiras a dominar e desenvolver o método champenoise de vinificação. Dentre as curiosidades contadas, saber como a Veuve Clicquot criou esse método foi uma das histórias mais interessantes do tour, por isso não vou estragar a surpresa adiantando aqui. Aprender a técnica de abrir uma garrafa de espumante usando um sabre também foi muito legal.

Casa Valduga Adega

Casa Valduga Degustação

Restaurantes

Maria Valduga

A Villa Valduga nos ganhou no tour e também no restaurante, com cardápio típico italiano no sistema de rodízio, que inclui salada de folhas orgânicas da própria horta, Sopa de Capeletti, Polenta Frita, Bolinho de Peixe, Radicci, Galeto Al Primo Canto, Costela Suína e de sobremesa – Sagú com Creme e Pudim de Leite. Estava tudo uma delícia, mas a costelinha de porco ganhou o meu coração.

Casa Valduga Almoço

Canta Maria

No dia em que fomos ao Canta Maria não estávamos na disposição para rodízio italiano, então fomos na opção à la carte e escolhemos um Fettuttini aos molhos Bolonhesa e Funghi, ambos gostosos. Nesse dia, tomei pela primeira vez um suco de uva integral branco. Maravilhoso! Aliás, bebe-se suco de uva integral lá como água. Vistamontes, Casa da Madeira, Galiotto e Aurora são algumas sugestões.

Trattoria Mamma Gema

Nesse dia estávamos com desejo de carne vermelha. O Filé Grelhado com Seleta de Legumes foi uma boa pedida! A carne estava muito saborosa. Apenas faço a ressalva que estava um pouco puxada no sal, para o meu gosto. Esse restaurante tem sempre fila de espera, mas possui um jardim maravilhoso para caminhar e relaxar, que não te deixa sentir os minutos passando.

Mamma Gema Almoço

Mamma Gema Almoço 2

Mamma Gema Jardim

Bom, esses foram os momentos mais marcantes durante três dias no Vale dos Vinhedos. Há muito mais o que se fazer e, de preferência, com muita calma, se permitindo descobrir e ser muito bem recebido pelas pessoas de lá. Tendo tempo, vale a pena também ir ao Caminhos de Pedra em Bento Golçalves. Adorei os iogurtes da Casa da Ovelha, que é visita obrigatória para quem vai com crianças. No parque é possível acariciar as ovelhas, participar da tosa, amamentar os filhotes e assistir a demonstrações de pastoreio dos cães da raça Border Collie.

Espero que tenham gostado das dicas. Vamos valorizar os nosso vinhos porque eles merecem!

Beijos e até,

Paula

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