Gastronomia: Roberta Sudbrack

Atualização: estabelecimento fechado.

Oi pessoal!!

Depois de quase dois anos, o restaurante da Roberta Sudbrack volta a marcar presença no blog. A Maysa já contou algumas de suas experiências gastronômicas por lá aqui e aqui. A novidade dessa vez é que o Pedro e eu fomos pela primeira vez (acompanhados pela Maysa e o Lucas). E vou contar agora a minha experiência.

Há quase dois anos começou a minha amizade com a Maysa e durante esse mesmo tempo ela vivia falando da Roberta Sudbrack. Eu nunca duvidei que seria o máximo experimentar o menu degustação dela, mas não estava preparada psicologicamente para o preço que seria cobrado por essa aventura gastronômica. Eu iniciei 2013 com vontade de me permitir, e comentei isso com a Maysa. Ela, cheia de más intenções, acompanhando o twitter da Sud (como Maysa a chama) não resistiu à divulgação de alguns pratos que seriam servidos na noite do dia 31 de janeiro. Eu, que já estava disposta a jantar num restaurante legal para encerrar bem o mês do meu aniversário (inventando desculpas para ir a um lugar novo e bacana), cedi à proposta indecente dela. Decidi que eu precisava desmistificar a Roberta Sudbrack da minha mente. Foi assim, de repente, que decidimos jantar na Sud. Maysa já estava eufórica. Eu não queria pensar, com medo de criar muitas expectativas. Com certeza a Sud não frustra, pelo contrário, de fato ela surpreende. Bem, vou falar logo o único ponto negativo que observei, porque depois disso serão somente elogios. A carta de vinhos do restaurante é um tanto inflacionada. Uma coisa é ter uma carta eclética de vinhos bons e mais em conta a vinhos finos e caros. Não é o caso. Como sugestão da própria Maysa, já que não iríamos de vinho, ela recomendou água, que inclusive era mais apropriada para não interferir no sabor dos pratos. Seria apenas para lavar a boca.

Mas vamos à parte boa! O atendimento lá é maravilhoso, o ambiente é muito agradável. Se estivéssemos nesse nível de restaurante em São Paulo, o traje apropriado seria esporte fino e nós teríamos que baixar o tom de voz. Rs… Ali não. O ambiente é aconchegante, fomos com roupas super confortáveis e conversamos e rimos como se estivéssemos em casa. Nem outros clientes ou os funcionários nos olharam de cara feia por isso. Pelo contrário, a casa estava satisfeita com o nosso conforto e diversão!

Sobre a comida, vou colocar as fotos da “Experiência Sudbrack” na sequência com uma breve descrição dos pratos (ou não acabo esse post. rs). Mas uma coisa devo destacar: nem sempre o nome do prato reflete seus ingredientes. A Sud gosta de brincar com as sensações, e muitas vezes o nome é reflexo da aparência e textura.

Fomos na intenção do menu de três pratos (entrada + prato principal + sobremesa). Quando vimos o cardápio com as opções do menu completo (nove pratos), não resistimos. Ficamos no meio termo: o menu de cinco pratos. Foi suficiente, porque ele já proporciona aquela sensação gostosa de vários pratinhos chegando à mesa e é a quantidade ideal de comida. O menu completo, além de ser muito caro (pra mim), vem muita comida.

Os trabalhos são iniciados com o pãozinho com manteiga da casa e o salaminho artesanal da serra gaúcha. O pãozinho vem quentinho e é reposto ao longo da noite. Depois é servida uma tábua de gougères. São uns pãezinhos de queijo incrivelmente leves. Só mordendo para saber. Dá para ver um filme devorando muitos deles, no lugar da pipoca. Rs… E para encerrar o que seria um suposto couvert, vem o mandiopã com farinha de banana.

Pãozinho com manteiga da casa

Pãozinho com manteiga da casa

Salaminho artesanal da serra gaúcha

Salaminho artesanal da serra gaúcha

Gougères

Gougères

Mandiopã com farinha de banana

Agora sim começa o menu do dia, com as amuses (mini entradas). O grande destaque foi o Lagostim. Eu queria um prato principal só daquilo.

Ostra vegetal

Ostra vegetal

Palmito bebê

Palmito bebê

Lagostim croustillant ao tartare de lichia e tomate

Lagostim croustillant ao tartare de lichia e tomate

 E lá vêm as entradas. Foi o peixe mais branquinho que já comi na vida. E o ovo caipira foi explosão de sabores na minha boca. E a apresentação?!? Indescritível…

Cherne em compota de milho e canjica

Cherne em compota de milho e canjica

Ovo caipira em crocante de pão e foie grãs

Ovo caipira em crocante de pão e foie gras

Naquela altura, eu já estava tranquila. Mas era a vez do prato principal: Pato. O melhor que já comi na vida. A carne desmanchava. O sabor era incrível, pra ninguém botar defeito.

Pato no couscous de tucupi

Pato no couscous de tucupi

Agora sim estava plenamente satisfeita. Mas eu não ia deixar passar nada. E não é pra deixar. Tudo tem uma razão de ser. Assim como o queijo, com figo e broa de milho, que é servido entre o prato principal e a sobremesa. Como se o nosso paladar estivesse sendo preparado para o doce. Neutralizando.

Tábua de queijo, figo e broa de milho

Tábua de queijo, figo e broa de milho

Chega o sorbet de siriguela, cremoso. Parecia que estávamos saboreando a própria fruta, sentindo até a textura aveludada. Aquele geladinho na boca foi digestivo.

Sorbet de siriguela

Sorbet de siriguela

E lá vem o grande astro da noite: Leite Frito. A aparência é de um queijo coalho (pelo formato), mas a sensação é de um crème brûlée, com aquela casquinha de açúcar queimado e o interior cremoso. De quebra, ainda vem com uma calda de doce de leite e chocolate, e pra arrematar, canela polvilhada. Alucinante!

Leite Frito

Leite Frito

Aí, quando perguntam se queremos café, você pensa: ahh, acabou… Não, o café orgânico de Itabirito passado na hora vem com nada mais nada menos que: mini éclair, colher de brigadeiro, mini tartelete de morango, mini broinha recheada de doce de leite, goiabada e maria mole, e uma espécie de quebra queixo de caramelo. Não sobrou nada!

Café orgânico passado na hora direto de Itabirito

Café orgânico passado na hora direto de Itabirito

Os docinhos que acompanham o café

Os docinhos que acompanham o café

Não sei se alguém percebeu, mas foram servidos mais do que cinco pratos ao longo da noite. É que a Maysa e o Lucas têm um histórico especial no restaurante da Sud, e fomos presenteados com dois pratos extras: as famosas surpresinhas da Chef (a ostra vegetal e o sorbet). Surpresa mesmo foi ela ter ido até a nossa mesa ao final do jantar para nos cumprimentar e receber o nosso feedback. Muito gentil e atenciosa. Me senti lisonjeada. Hehe

E voltamos pra casa todos bobos e satisfeitos. Fui dormir como uma rainha. Sonhando com o dia em que me permitirei voltar lá. Enquanto isso, fico namorando as fotos que a Sud publica no Instagram (@rsudbrack). Praticamente uma tortura chinesa.

Paula

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

  1. Pingback: Gastronomia: Perilla - NYC