Olá pessoal,

Hoje vou dar uma dica dupla de gastronomia. Ainda na onda da viagem à Europa, uma amiga minha disse que eu não poderia deixar Paris sem experimentar, segundo ela, o melhor bife com batata frita do mundo. E me alertou que no Relais de l’Entrecôte, eu não teria outra opção a escolher. Lá só é servido esse prato! Fiquei surpresa, mas até que gostei de ir a um restaurante com uma única opção de comida, já que eu sempre sofro com a dúvida de qual prato eleger. E já que eu ia experimentar o melhor bife com batata frita do mundo, me senti na obrigação (oh, que problema) de finalmente conhecer o famoso “Filé de Ouro” no Rio de Janeiro. Antes de começar as comparações, devo ressaltar que apesar de se tratar de bife e batata frita, os dois pratos tem muito pouco em comum. O parisiense é um filé com um molho especial com fritas e o carioca é o conhecido filé à Oswaldo Aranha com batatas portuguesas, farofa de ovos, arroz e feijão.

Sei que em São Paulo o Chef Olivier Anquier abriu um restaurante exatamente no estilo do Relais de Entrecôte, o bistrô l’Entrecôte d’Olivier. Nesse caso, os paulistas que já foram ao l’Entrecôte de SP merecem fazer a comparação com o de Paris. E para os cariocas, é uma oportunidade de se deliciar com esse prato com a distância apenas de uma ponte-aérea.

Mas a questão do post de hoje é: Para quem já foi ao Relais de l’Entrecôte e ao Filé de Ouro, quando se pensa em filé, qual te dá mais água na boca? Qual te proporcionou a maior emoção?

Vamos às experiências…

Relais de l’Entrecôte (RE)

Le Relais de l’Entrecôte

O restaurante possui três unidades em Paris. Nós escolhemos a da 20 Rue Saint-Benoit, já que estávamos hospedados no bairro Saint Germain. Como eu já imaginava, a fila de espera era longa, mas entramos em uns vinte minutos. Percebi que para ir a dois, entra-se bem mais rápido, e olha que era uma sexta-feira à noite. Na verdade, o serviço é bem ligeiro, então as mesas são liberadas muito rápido. Inclusive, as garçonetes não permitem ninguém molengando no restaurante. rs

Ao sentarmos, a garçonete perguntou o que íamos beber e o ponto do nosso filé. Optamos por uma garrafa de vinho da casa que era bem simples, mas adequado para ser apenas o coadjuvante da noite.

Vinho da casa – Tarn Réserve

Logo depois, foi servida uma salada verde de entrada com nozes e molho a base de mostarda Dijon. Bem apimentada, boa para abrir o apetite!

Salade aux noix

E logo que terminamos a nossa saladinha, foi servido o prato principal. À primeira vista, pareceu pouca comida. Mas como estávamos de olho nas sobremesas das mesas vizinhas, sobraria espaço para alguma delas. Nossa, que bife gostoso, muito macio. E o molho??? Com certeza, o segredo está naquele molho. Apesar de várias especulações e algumas bem surpreendentes, a receita do molho do RE é guardada a sete chaves. E conforme íamos nos deliciando com aquele filé e aquelas batatas crocantes e fininhas, cogitávamos a possibilidade de abrir mão da sobremesa e pedir mais um prato para dividir. E quando estávamos terminando e prontos para pedir “BIS”, eis que surge a garçonete com uma travessa de filé e serve a mesma porção que veio no prato. Parecia que ela estava lendo o nosso pensamento. E quando eu estava sendo solidária ao Pedro (meu marido) ao ceder algumas das minhas batatas, já que ele já tinha devorado as dele, veio a garçonete com a travessa de fritas e nos serviu tudo de novo. Nessa hora nós quase choramos! O prato é servido inicialmente com a metade da porção, enquanto a outra metade é mantida aquecida na travessa. Acho que foi a vez que eu mais comi na minha vida. Eu como pouco, mas não queria desperdiçar um bifinho nem uma batatinha. Sobremesa nem pensar. Ainda assim, foi incrível. Com certeza, o RE não contribui para a fama das pequenas porções francesas. Para quem não está acostumado, é uma comida pesada para jantar. Acho que a minha próxima vez por lá será no almoço, assim dou uma boa caminhada depois para digerir aquilo tudo. A conta com os dois pratos, vinho e água totalizou o equivalente a R$180,00. Com certeza vale. Não é a toa que um restaurante que serve um único prato forma fila na porta todos os dias!!! Memorável!

Entrecôte a point

Filé de Ouro

O restaurante

Ainda com o gostinho do RE na memória fomos ao Filé de Ouro, na Av. Jardim Botânico, 731. O restaurante foi inaugurado na década de 60, ainda forma fila na porta e tem gostinho de comida caseira. Escolhemos o famoso Filé a Oswaldo Aranha, um corte de filé respeitável (300g), coberto por lâminas de alho frito, acompanhado de batatas portuguesas (sequinhas), arroz branco, feijão preto e farofa de ovos. Esse é um típico prato brasileiro encontrado em qualquer restaurante de carnes, mas como esse, realmente eu nunca havia comido. Que filé!!! Que alho frito!! E os acompanhamentos deliciosos, perfeitos!

Filé à Oswaldo Aranha

Zoom no filé porque ele merece

 As porções são bem fartas, tanto que éramos dois casais e pedimos o prato para três pessoas. Ainda bem, pois assim como no RE, eu teria ultrapassado o meu limite.  A minha porção de Oswaldo Aranha fez um belo conjunto com o bolinho de bacalhau de entrada, o choppinho e o pudim de leite para encerrar. Tudo aprovado! Brasileiro sabe mesmo servir uma boa carne. Não é à toa que gringo vem pra cá e fica maluco. A conta totalizou R$140,00 por casal. Um bom preço pela qualidade dos pratos.

O prato completo

Os bolinhos de bacalhau de entrada. O sorriso foi por nossa conta, ok?

Para resumir: Fui bem atendida nos dois restaurantes, os ambientes são agradáveis, os pratos são ótimos e diferenciados, os preços são semelhantes (contando que no RE tomamos um vinho francês) e saí muito satisfeita. Mas o Filé de Ouro tem duas importantes vantagens: a primeira, ele é carioca, portanto de fácil acesso (rs) e a segunda, é impossível enjoar de um Filé a Oswaldo Aranha. Aliás, é sempre uma das coisas que mais me dá saudade de comer quando viajo para fora do Brasil. Nada como um bife com batata frita bem acompanhado pelo nosso querido arroz com feijão. O molho do RE realmente é especial, mas acho que pode se tornar um pouco enjoativo comer lá com frequêcia. Esse problema (infelizmente) eu não terei. Hehe

Beijos e até a próxima!

Paula

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